terça-feira, 30 de agosto de 2011

Campeonato Brasileiro de Asa Delta em Brasília - Parte 2

Pois é pessoal, após uma semana de voos inesquecíveis, termais violentas, competição acirrada, acidentes e muito mais, o Campeonato Brasileiro de Asa Delta terminou. Esse foi o meu primeiro ano em Brasília e tenho muito sobre o que pensar e muito o que agradecer por estar em casa bem tranquilo em segurança. Ir de carro é sempre uma aventura, pois as estradas sempre tem alguma surpresa, como o engarrafamento de 4 horas que peguei na volta após Belo Horizonte. Fui obrigado a pernoitar e seguir viagem na segunda feira 29/08/2011. A minha viagem foi bem sucedida em todos os aspectos, graças a Deus! Revi meus amigos e amigas de Santa Catarina, dentre eles Ivo, Cida, Cristiano, Cintia, Dingo, Cláudio, Tiago, Robson, Junico, Zé Maria, Renatinho, Robô, Maninho... e muitos outros, que agora não vou me lembrar certinho todos os nomes. Consegui realizar o sonho de voar até a Esplanada. Além de tudo consegui trocar de asa e dar 2 voos em Brasília com o brinquedo novo.



Cheguei em BSB no dia 20 a noite, realizei 5 voos nos dias 21, 23, 24, 26 e 27 de agosto. No dia 22 o vento estava muito forte e optei por não voar, e no dia 25 estava muito cansado e resolvi ficar de resgate. O voo do dia 21 está comentado na Parte 1, os outros vou comentar abaixo. Na terça-feira 23 de agosto acabei ficando para decolar muito tarde, fui um dos últimos. O vento estava fraco, pois uma térmica bloqueava o vento a frente. Mesmo sem vento decidi que iria decolar, para tentar pegar a térmica que estava a frente. Corri com tudo, mas mesmo assim a asa deu aquele mergulho. O esforço foi recompensado consegui pegar aquela primeira térmica. Infelizmente não subi muito, tive que voltar para frente da rampa e tentar outra térmica que finalmente me colocou no voo com altura suficiente para cruzar o Gap em direção à Itiquira. Chegando em cima do Dicrã (rampa antiga) tentei ganhar mas não consegui, então decidi ir um pouco mais adiante, mas a verdade é que eu só estava conseguindo ir até uns 400 m acima da altura da rampa, o que a meu ver era muito pouca altura para jogar pra trás na roubada. Insisti o quanto pude para tentar vencer àquela altura mas não rolou, pousei ali em baixo mesmo. O mais engraçado é que fui resgatado pelos caras que vieram da Guatemala (guatemaltecos!!), que estavam numa Kombi lotadassa com 9 guatemaltecos. Valeu Guatemala!!!



Na quarta-feira (24 de agosto) fui para o meu terceiro voo. O início foi rápido, logo ganhei altura para cruzar o Gap, e lá fui eu. Chegando do outro lado percebi que iria sofrer o mesmo problema do dia anterior. Não estava conseguindo passar de uma certa altura. Decidi que iria ousar um pouco mais e procurar uma termal em cima da cachoeira. A princípio pode parecer que isso é fácil, pois todos falam para você jogar por ali que tem térmica, mas a verdade é que por ali tem uma grande área sem pouso e o sujeito fica cabreiro de tentar, pois o vento é forte para ir para frente, e se você não ganha altura, vai ter que ir pra frente tentar arranjar um pouso. Bem... a minha sorte foi avistar uma queimada, foi jogar em cima e lá estava a térmica. Pronto, a altura que eu precisava estava lá. Mesmo tarde, batalhei o voo até não aguentar mais os braços. Acabei por pousar entre sobradinho e planaltina, depois da reserva.



Na quinta-feira (25/08) não aguentei, fui obrigado a descansar os braços. Aproveitei para conversar com pilotos, pensar sobre o voo e resgatar os meus amigos, dando folga para mulherada resgatas (Minha esposa Radharani, a Cida e a Cintia). No final do dia acabei fechando negócio com o Rafa de Sapiranga, que me vendeu sua asa delta Combat 09 tamanho 13.7.

Na sexta-feira (26/08) estava animado com o brinquedo novo. Estava ansioso, mas cauteloso para a estréia. Meus amigos Ivo e Cristiano me ajudaram a montar a nova asa. Tivemos que trocar o cabinho da marcha e colocar o Hang loop, pois o Rafa usava balancinho. A hora de decolar chegou e coloquei a asa na rampa da direita, pois ela estava liberada e também preferi decolar por lá, pois é mais inclinada que a da esquerda. A decolagem foi super tranquila, a asa é fácil de nivelar, bem leve. Foi ótimo, já fui logo ganhando altura e roscando numa térmica com outros voadores. Cruzei o Gap, mas como não era acostumado com o rendimento da asa, mirei no Dicrã... mas acho que eu chegaria tranquilamente na cachoeira do Itiquira sem perder muita altura. O resultado não foi bom... fui ficando cada vez mais baixo. Pensei que seria melhor pousar na parte de cima do platô, pois o pouso era enóóóórme e eu estava preocupado com isso. Dei sorte, quando joguei pra trás para pousar peguei uma termalzinha que foi crescendo, crescendo, crescendo e quando eu vi já estava altasso. O voo estava difícil, parecia que ir para BSB era contra vento. Acabei pousando quase 5 horas da tarde próximo à lagoa da Embrapa, um pouco antes. Para minha surpresa a Combat pousa super tranquilo, a asa é incrível.



No sábado (27/08) já um pouco mais acostumado com a asa nova decolei da rampa da esquerda mesmo. No momento da minha decolagem havia alguns rumores sobre a queda de um piloto. Eu não tinha percebido a gravidade do que estava acontecendo, achei que fosse um crash no pouso. Infelizmente, antes fosse isso, quando pousei é que as pessoas foram me falar que um piloto do Rio de Janeiro (Enio) havia falecido. Isso foi um balde de água fria na minha cabeça, pois passei a sentir um misto de felicidade e tristeza que eu não conseguia lidar. A minha primeira esplanada e também a primeira vez que eu estava voando quando aconteceu um acidente fatal. Só me resta contar como foi o voo e desejar que a família do Enio tenha forças para passar por isto.

Decolei dentro de uma térmica, então já fui logo derivando para trás da decolagem. Cruzei o Gap e no outro lado fui batendo em alguns piriris mas nada forte. Joguei em cima de uma fazenda na parte de cima do platô, onde um dia antes havia pego uma boa térmica. Dito e feito, lá estava ela de novo. Ganhei uma certa altura e vi um grupo de voadores se dando bem um pouco mais adiante. Fui com esse pelotão até Brasilinha, onde coloquei a maior altura do voo. Depois disso o grupo se dispersou... acabei ficando sozinho. Chegando em sobradinho havia perdido muita altura. Tentei jogar em cima de um dust, mas só consegui comer areia e palha, não achei a térmica, que parecia havia se dissipado. Resolvi jogar na direita, que se não achasse nada tinha um pouso bacana. Acabei batendo numa térmica e voltando para o voo. Fui em direção à gerra eletrônica (não faço ideia o motivo do nome, na verdade é uma caixa d'água). Lá consegui pegar uma termalzinha muito fraca e joguei em direção ao lago. Já estava ficando baixo quando tirei uma térmica da manga! Foi só dar a altura para atravessar o lago que fui em direção a Esplanda com aquele uma sensação de missão cumprida. Para fechar com chave de ouro fiz um pouso perfeito.